Dia Internacional da Mulher – Coluna do Poder Judiciário de Bom Jesus

Simone de Beauvoir, em “O Segundo Sexo”, ensina-nos que nunca houve um momento na História em que às mulheres foi permitido exercerem liderança nas suas comunidades, com igualdade de direitos relativamente aos homens. Cogita-se da existência de matriarcado na Pré-História; porém, a autora desmente essa crença, sustentando que, na verdade, o que havia eram cultos à Deusa-Mãe, que era uma representação da Natureza, cuja força era incompreensível para o homem da época. Em outras palavras, o feminino era visto e tratado como sobrenatural.

 homem igual mulher

Depois, principalmente a partir das sociedades greco-romanas e do advento da Idade Média, as mulheres passaram a ser consideradas inferiores e objeto de dominação. Se há quem duvide disso, é só consultar livros sobre a Antiguidade e os escritos medievais da Igreja Católica para ver a forma impiedosa pela qual essas culturas trataram, à época, o gênero feminino.

 

Ou seja, sempre fomos tratadas de uma forma deslocada da nossa sociedade: ou como seres transcendentes, ou como seres inferiores, mas jamais como iguais em direitos. Por isso, o que desejamos, especialmente no Dia da Mulher, é a efetiva igualdade de direitos, não flores. É possível que se contraponha: como falar em igualdade, se ninguém é igual? Mas é óbvio que ninguém é igual. Não negamos tal constatação. Mas daí estamos a falar de outra coisa, que são indivíduos e suas peculiaridades psicológicas. Aqui, estamos a falar de gênero, de grupo, e de seus respectivos direitos. Isto é, estamos falando do mundo concreto, do mundo em que vivemos – o mundo comunitário –, e não do espaço psicológico e idiossincrático de cada um. Estamos a falar em assegurar a todas as pessoas, homens e mulheres, as mesmas oportunidades na nossa comunidade.

 

Apenas 36% do cargo de magistrados no Brasil é preenchido por mulheres. No STF, existem 11 cadeiras para Ministro, ao passo que só 2 são ocupadas por mulheres. Fonte de tais dados: Associação dos Magistrados Brasileiros. Se em um ambiente tido por extremamente culto e com amplo acesso à educação e à informação o panorama é esse, o que dizer dos demais ambientes profissionais e políticos? Não caiam na manobra argumentativa de que é normal tal diferença e que esta se dá porque as demais mulheres não preenchem tais cargos por não estarem em condições, pois é o mesmo que naturalizar a posição de inferioridade em que fomos colocadas ao longo da História. As mulheres profissionais, inclusive as do ramo do Direito, estão aí para mostrar a excelência do nosso trabalho e que temos todas as capacidades para preenchermos igualitariamente o espaço público.

direito iguais

 Lembrem-se: queremos igualdade de direitos. Feliz Dia das Mulheres a todos e a todas!

 Drª Uda Roberta Doederlein Schwartz 

Juíza de Direito na Comarca de Bom Jesus

Coluna do Poder Judiciário de Bom Jesus

 

 

CONVITE PARA A REUNIÃO DE EXPOSIÇÃO DO PROJETO APADRINHAMENTO AFETIVO

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Everaldo Camargo

Diretor Geral, mora em Bom Jesus-RS
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