Dia de Finados – Por Fabiana Soares

Puxa! Se não fosse o dia de finados hoje seria um dia como outro qualquer. Não sei por que as pessoas insistem em fazer sempre a mesma coisa. Na semana em que antecede o dois de novembro as pessoas vão até o Cemitério, seja nos jazigos dos seus familiares, dos seus amigos que já partiram ou mesmo para rezar para as almas penadas – se é que realmente existem. O ritual é sempre o mesmo, dias antes desta data consagrada aos nossos mortos as pessoas mandam lavar os túmulos, pintar, limpar, deixar tudo impecável para no dia dos finados poderem finalmente levar flores para os seus entes queridos, e olha que as flores são dos mais variados tipos, há crisântemos, margaridas, flores do campo, copos de leite e até lírios, isto sem falar nas velas, alias nunca se vende tantas velas como nesta época do ano.

Bom, vou parar de devagar e também me arrumar, com roupas discretas, é claro, para ir até o Cemitério. Não que eu goste deste data, pois já há alguns anos me sinto diferente neste dia, não sei se triste ou alegre. Triste por que muitas das pessoas as quais eu amava já se foram. Para onde? Não Sei. Ás vezes me pergunto: Será que existe céu, inferno, purgatório, estas coisas que todo mundo fala; e alegre por que bem ou mal todos depois que morrem vão para o mesmo lugar, não estou falando de Cemitério, cremação ou reencarnação, mas de um lugar diferente. Pois é, mas deixando estas idéias de lado, acho nossos mortos devem gostar da visita daqueles, que na maioria das vezes, só se lembram deles no dia de finados.

Hoje acordei bem cedo, engraçado, não sinto fome e olha que adoro um bom café da manhã. Acho que vou indo, pois como  preferi ir caminhando vou demorar um pouco para chegar no Cemitério, e além do mais vou passar na casa de minha mãe, meu avô e meus dois primos, pois combinei com eles de irmos juntos, espero que não vão sozinhos e esqueçam de mim, pois ultimamente não temos mais nos encontrado com muita freqüência, já que cada um tem seus dias bem atribulados.

Já em frente ao Cemitério começo a observar os semblantes das pessoas que por ali começam a chegar. São famílias inteiras, mãe, pai, filhos, avós e sogras. Tem também pessoas que chegam em grupos conversando sem parar sobre tudo que se possa imaginar. Tem até crianças correndo de um lado para o outro sem saberem ao certo o que estão fazendo ali. Quem para e começa a observar percebe claramente que toda esta cena parece uma verdadeira passeata, só que em prol de uma causa perdida. Perdida por que a vida de quem está a sete palmos debaixo da terra não tem volta, pois se tivéssemos que ter feito algo pelos nossos mortos, teríamos que ter feito antes e não agora, porque agora é tarde demais. Se vale a pena chorar. Não sei? Se vale a pena lembrar deles enquanto estavam vivos e o que fizemos de bom quando perto deles estivemos. Acho que sim.

Agora mais centrada em meus pensamentos e em frente ao jazigo de minha família, isto é de minha mãe, meu avô e meus dois primos, vejo claramente que quem está ali esperando pela visita dos familiares que só vem no dia dos finados sou eu.

Fabiana Soares é natural de Bom Jesus,  jornalista, formada pela UNISINOS, pós-graduada em jornalismo pela PUC e mestre em linguística pela UFSC. Atualmente é professora universitária da FACVEST  e da rede estadual de ensino. Também é assessora de imprensa da Prefeitura Municipal de Bom Jesus.


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Autor desta matéria

Everaldo Camargo

Diretor Geral, mora em Bom Jesus-RS
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